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Relato de Amamentação Natália Geara e Danilo

 

Ter um filho sempre foi meu sonho. E junto com esse sonho, imaginava poder pegá-lo nos braços, sentir o seu corpinho quentinho junto ao meu, amamentar, olhar seus olhinhos olhando pra mim…

Sabia que nem sempre amamentar é fácil, mas uma coisa tão natural, tão instintiva, porque não seria? No curso de gestantes ouvi falar sobre as dificuldades que as mulheres possuem, em todo o processo, mas a gente sempre pensa: comigo será diferente.

Já imaginava que teria alguma dificuldade devido ao bico do meu peito que suspeitava ser plano (se lembra Aline, que pedi para você olhar?), e neste dia você me acalmou, disse: é perfeitamente possível amamentar.

Quando o Danilo nasceu tentei colocá-lo no meu peito, e achei que ali a mágica se estabeleceria… Mas não, ele não conseguiu mamar. Foram muitas horas de parto, estávamos cansados, todos diziam: calma mãe, ele tem reserva! Então relaxei e dormi.

No dia seguinte chamei a Aline (minha querida amiga e consultora de amamentação) para me ajudar na pega correta, para ensinar a mim e ao meu filho a tão sonhada amamentação.

Ele mamava pouco, estávamos aprendendo ainda qual a melhor forma para que eu o segurasse, como ele gostava de mamar, a fazer a pega. Saí do hospital com uma receita de fórmula, mesmo amamentando exclusivamente.

Fui para casa e a amamentação estava difícil, ele dormia muito, mas estava confiante que conseguiríamos, e que o meu bebê tinha as reservas, e então contava com a ajuda da consultoria para aprender a pega correta, e estávamos caminhando.

Desde o segundo dia o hospital já estava achando o Danilo meio amarelinho, e em casa ele ia ficando cada vez mais amarelinho… Quando ele estava com 4 dias (saí do hospital com dois dias) entrei em contato com a Pediatra e enviei uma foto do meu bebê, e ela pediu para que fôssemos ao hospital pois ele estava com indícios de icterícia.

Quando chegamos ao hospital Danilo estava com o índice de 26 de bilirrubina, muito alto!! Isso que ainda não tinha chegado ao quinto dia, que é o pico da bilirrubina. Fomos internados imediatamente. A icterícia estava tão alta que não podia tirar o Danilo da incubadora nem para amamentar e nem para trocar fraldas, e se não abaixasse os índices talvez fosse necessário transferi-lo para a UTI neonatal para um melhor acompanhamento.

Ali meu mundo caiu. Ainda enquanto vendavam o meu bebê e arrumavam as luzes da incubadora para colocá-lo já disseram que a causa da icterícia poderia ser baixa ingesta, e que era necessário alimentá-lo com fórmula. Só que justo neste dia mais cedo havíamos conseguido estabelecer a amamentação, foi o primeiro dia que ele realmente pegou o meu peito!! Meus seios jorravam leite, e eu sabia que não existia leite fraco. Tivemos dificuldades sim, mas estávamos aprendendo. Não queria perder a batalha logo agora, logo quando havíamos nos conectado.

A única opção para que eu continuasse a amamentar exclusivamente era ordenhar e dar o leite no copinho até ele sair da incubadora. Era necessário que eu tirasse de 3 em 3 horas o meu leite, e conseguisse no mínimo 60 ml. Toda esta pressão para conseguir os 60 ml e evitar dar a fórmula, mais a culpa que estava carregando por ver meu filho ali sozinho, na incubadora, com aquelas palavras martelando dentro de mim: baixa ingesta, estavam me matando, mas eu queria tentar, acreditava muito na amamentação exclusiva.

Chorei muito, me sentia culpada, frustrada por ter que voltar ao hospital e ver meu bebezinho tão pequenininho vendado, na incubadora, no banho de luz. Não podia tirar ele de lá nem um minuto, só podia fazer carinho nele pela portinha da incubadora. Achei que não seria capaz. O fantasma da baixa ingesta me perseguia, a pressão para dar a fórmula até mesmo por profissionais da saúde me deixava insegura quanto a minha decisão de amamentar.

Mas tive anjos na minha vida. Uma rede de apoio maravilhosa. Minha família que estava ao meu lado, me acalmava, minha consultora de amamentação que sempre era carinhosa e entendia este momento, a pediatra do Danilo que incentivava muito a amamentação.

Quando o Danilo foi para casa era só alegria, havíamos conseguido!! Ele mamava exclusivamente, e era só alegria!! Mas antes dele completar 1 mês e meio a primeira surpresa: uma mastite gigantesca.

Meu peito duro como uma pedra, fiquei com febre, sentia uma dor absurda ao amamentar. Feriu o bico do seio. Neste momento eu realmente cheguei no meu limite, amamentar me causava muita dor. Chorava enquanto amamentava, mas aguentei firme. Tive um suporte cheio de amor da Aline, que além de toda a técnica e prática profissional respeitava a minha dor, e foi este acolhimento que me incentivou a ir adiante.

Mais uma vez consegui. Mais uma vez depois da tempestade estava amamentando. Mas vieram outras mastites… 5 no total. Mas neste momento já sabia o que esperar, já conseguia ter a calma para saber que iriam passar.

Me sinto orgulhosa deste processo. Amamentei exclusivamente até 6 meses, e continuamos seguindo firmes aqui. Não temos pressa para finalizar este processo, espero amamentar até quando for bom para nós dois. Nada explica o quanto é maravilhosa esta conexão entre mãe e filho que se cria neste momento, quando aqueles olhinhos me fitam enquanto mama..

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